Estreou a 29ª temporada no Paramount+, e a dublagem à toque de caixa estreou junto, e eu queria aproveitar o tópico para comentar algumas coisas, até pensando como franquia.
Eu aproveitei para conferir como ficou a dublagem das temporadas 27 e 28, que são curtinhas (as duas tem 5 episódios cada). Eu tinha visto vários trechos, até que não era pouca coisa, mas nenhum episódio completo antes, e algumas coisas até me surpreenderam, mas outras claramente não fizeram isso.
Primeiro, a Krysna Dias até por coisas que ela já comentou sobre o desenho, de fato tem uma noção de "auto-referência" muito melhor que a do Luciano Monteiro, que dirigia e escala meio no "foda-se", e era isso aí. Ela ao menos tenta manter ou resgatar algumas escalas mais antigas, o Tolkien mesmo voltou a ser dublado pelo Roy Proppenhein, que dentre as várias vozes que teve, fez ele lá na 11ª temporada em alguns episódios. Parece que ela sabe melhor o que faz, mesmo que eventualmente sejam decisões ruins, elas parecem mais conscientes do que as que o Luciano tomava, e eu consigo respeitar isso apesar de tudo.
Por outro lado, sendo conscientes ou não, nessa fase a dublagem do desenho foi completamente "Carla Cardosizada". Se a Carla Cardoso dublando Kyle e Cartman junto com o Stan e seus personagens já antigos era um problema, agora isso também se aplica a outros dubladores do desenho. A Krysna mesma comentou uma vez que dava preferência aos dubladores de mais longa data no elenco para eventuais substituições, o que fez com que Roy Proppenhein, Paulo Roberto Carvalho e Alexandre Alvarez Neto, além dela própria (Krysna) aumentassem ainda mais o número de personagens que já possuíam. O próprio Roy voltou a fazer o Tolkien como eu citei, mas também está fazendo o Sr. Garrison por exemplo. A Krysna está dublando 80% do elenco feminino, tem uma cena no episódio 5 da vigésima temporada em que a mãe do Kyle, a mãe do Butters e mais duas personagens femininas (acredito que uma seja a mãe do Craig e a outra não lembro agora) conversam, e a Krysna dubla todas elas simultaneamente - no inglês que tem muita repetição de voz não é assim, para ver o nível.
Ou seja, se até anos atrás, vamos dizer por alto, uns 8 ou 9 dubladores em média revezavam um número aí de 35 personagens do desenho, esse número caiu de 8 para 5 agora. Até a Carla Cardoso ganhou personagem nova, ela também está fazendo a Nichole, namoradinha do Tolkien e usando um tom muito similar ao do Stan, e pegando a deixa, eu notei que ela tentou imitar o que a Marta Rhaulin fazia no Kyle e no Cartman nas primeiras temporadas, com o Kyle falando ainda mais rápido e o Cartman com língua presa, só que eu tenho a impressão que ela dublou os dois com timbres ainda mais similares ao Stan do que ela fazia, tiveram cenas em que eu fechei os olhos de propósito e de verdade, eu não consegui saber quem era quem em tela. Não é nenhuma surpresa que essa substituição seja uma das piores trocas de vozes já feitas e bancadas por um cliente na história da dublagem como um todo, mas parece que ela só piora mais com o tempo.
Por outro lado, essas temporadas tiveram um uso razoável de gravações remotas. Se o elenco fixo em maior parte está "acabando" com cada vez menos dubladores fazendo mais personagens como eu falei antes, por outro, em participações menores e algumas pontas, deu para ver que o The Kitchen e a Krysna recorreram a vozes de fora de Miami. As escalas mais conhecidas até aqui foram o Digão Vicente no Randy (que surpreendentemente, não foi dobrado em nenhum outro personagem/participação até onde eu tenha visto, era como se ele fosse um "dublador convidado"), o Vitor Coldibelli no Donald Trump, que também fez umas dobrinhas ali e aqui, mas não foi só eles. Nomes como o Marlon Zé (de Buenos Aires), nomes de Brasília (Roxxy Sant'anna, Bárbara Faraco, Bruno Sheep, Pedro Augusto), e também outras figuras do eixo RJ-SP (Leandro Massoni, Fernanda Vignolo (sim, ela mesma), o finado Madley Miguez, entre mais alguns) apareceram no elenco dessas duas temporadas, em grande parte fazendo personagens novos e participações específicas.
Eu não sei também se isso pode ser um sintoma/consequência de uma "morte" da dublagem de Miami como ela era conhecida, não num sentido nem de qualidade, e nem necessariamente de perda de trabalho (embora essa perda de trabalho exista por lá), mas sim num sentido que vários dubladores de lá aparentemente se aposentaram/se mudaram de Miami/se mudaram de profissão, o que é até curioso. O afunilamento do elenco do desenho de South Park talvez deixe isso bem à mostra. Eu sei que a dublagem em espanhol (e provavelmente isso se aplica à versão em PT-BR) tem um pedido do cliente para manter repetição de vozes com o fim de emular a experiência da versão em inglês, mas mesmo a versão em espanhol ainda tem o elenco de longa data muito mais preservado e menos afunilado que a versão em português. Daí, que tentem compensar com gravações remotas.
Enfim, quem dera a dublagem do Snow Day tivesse sido passada para a série, porque, é uma tristeza o que a dublagem do desenho virou, e já não é de hoje, mas definitivamente não existe melhora na medida que as temporadas passam.
Eu aproveitei para conferir como ficou a dublagem das temporadas 27 e 28, que são curtinhas (as duas tem 5 episódios cada). Eu tinha visto vários trechos, até que não era pouca coisa, mas nenhum episódio completo antes, e algumas coisas até me surpreenderam, mas outras claramente não fizeram isso.
Primeiro, a Krysna Dias até por coisas que ela já comentou sobre o desenho, de fato tem uma noção de "auto-referência" muito melhor que a do Luciano Monteiro, que dirigia e escala meio no "foda-se", e era isso aí. Ela ao menos tenta manter ou resgatar algumas escalas mais antigas, o Tolkien mesmo voltou a ser dublado pelo Roy Proppenhein, que dentre as várias vozes que teve, fez ele lá na 11ª temporada em alguns episódios. Parece que ela sabe melhor o que faz, mesmo que eventualmente sejam decisões ruins, elas parecem mais conscientes do que as que o Luciano tomava, e eu consigo respeitar isso apesar de tudo.
Por outro lado, sendo conscientes ou não, nessa fase a dublagem do desenho foi completamente "Carla Cardosizada". Se a Carla Cardoso dublando Kyle e Cartman junto com o Stan e seus personagens já antigos era um problema, agora isso também se aplica a outros dubladores do desenho. A Krysna mesma comentou uma vez que dava preferência aos dubladores de mais longa data no elenco para eventuais substituições, o que fez com que Roy Proppenhein, Paulo Roberto Carvalho e Alexandre Alvarez Neto, além dela própria (Krysna) aumentassem ainda mais o número de personagens que já possuíam. O próprio Roy voltou a fazer o Tolkien como eu citei, mas também está fazendo o Sr. Garrison por exemplo. A Krysna está dublando 80% do elenco feminino, tem uma cena no episódio 5 da vigésima temporada em que a mãe do Kyle, a mãe do Butters e mais duas personagens femininas (acredito que uma seja a mãe do Craig e a outra não lembro agora) conversam, e a Krysna dubla todas elas simultaneamente - no inglês que tem muita repetição de voz não é assim, para ver o nível.
Ou seja, se até anos atrás, vamos dizer por alto, uns 8 ou 9 dubladores em média revezavam um número aí de 35 personagens do desenho, esse número caiu de 8 para 5 agora. Até a Carla Cardoso ganhou personagem nova, ela também está fazendo a Nichole, namoradinha do Tolkien e usando um tom muito similar ao do Stan, e pegando a deixa, eu notei que ela tentou imitar o que a Marta Rhaulin fazia no Kyle e no Cartman nas primeiras temporadas, com o Kyle falando ainda mais rápido e o Cartman com língua presa, só que eu tenho a impressão que ela dublou os dois com timbres ainda mais similares ao Stan do que ela fazia, tiveram cenas em que eu fechei os olhos de propósito e de verdade, eu não consegui saber quem era quem em tela. Não é nenhuma surpresa que essa substituição seja uma das piores trocas de vozes já feitas e bancadas por um cliente na história da dublagem como um todo, mas parece que ela só piora mais com o tempo.
Por outro lado, essas temporadas tiveram um uso razoável de gravações remotas. Se o elenco fixo em maior parte está "acabando" com cada vez menos dubladores fazendo mais personagens como eu falei antes, por outro, em participações menores e algumas pontas, deu para ver que o The Kitchen e a Krysna recorreram a vozes de fora de Miami. As escalas mais conhecidas até aqui foram o Digão Vicente no Randy (que surpreendentemente, não foi dobrado em nenhum outro personagem/participação até onde eu tenha visto, era como se ele fosse um "dublador convidado"), o Vitor Coldibelli no Donald Trump, que também fez umas dobrinhas ali e aqui, mas não foi só eles. Nomes como o Marlon Zé (de Buenos Aires), nomes de Brasília (Roxxy Sant'anna, Bárbara Faraco, Bruno Sheep, Pedro Augusto), e também outras figuras do eixo RJ-SP (Leandro Massoni, Fernanda Vignolo (sim, ela mesma), o finado Madley Miguez, entre mais alguns) apareceram no elenco dessas duas temporadas, em grande parte fazendo personagens novos e participações específicas.
Eu não sei também se isso pode ser um sintoma/consequência de uma "morte" da dublagem de Miami como ela era conhecida, não num sentido nem de qualidade, e nem necessariamente de perda de trabalho (embora essa perda de trabalho exista por lá), mas sim num sentido que vários dubladores de lá aparentemente se aposentaram/se mudaram de Miami/se mudaram de profissão, o que é até curioso. O afunilamento do elenco do desenho de South Park talvez deixe isso bem à mostra. Eu sei que a dublagem em espanhol (e provavelmente isso se aplica à versão em PT-BR) tem um pedido do cliente para manter repetição de vozes com o fim de emular a experiência da versão em inglês, mas mesmo a versão em espanhol ainda tem o elenco de longa data muito mais preservado e menos afunilado que a versão em português. Daí, que tentem compensar com gravações remotas.
Enfim, quem dera a dublagem do Snow Day tivesse sido passada para a série, porque, é uma tristeza o que a dublagem do desenho virou, e já não é de hoje, mas definitivamente não existe melhora na medida que as temporadas passam.
