Kevinkakaka Escreveu:10, 15 anos? Olha, eu só me lembro de um caso de alguém que se enquadra nisso. Se passou disso e não tem destaque, geralmente é mais questão de talento do que outra coisa...
Ou então a pessoa não conseguiu se enfiar nas panelinhas. E a questão das panelinhas é foda. No Rio, mais ainda do que em SP. Muitas delas são ultrafechadas.
Até tem casos de gente que eventualmente larga o meio e foca em outras profissões e atividades. Nathalia Pitty começou em 97 criança, mas aparentemente deu uma pausa, dublou muito pouco na segunda metade da década de 2000 e só voltou a ter destaque na década de 2010, por exemplo. Pierre Bittencourt é outro que começou criança, parou por muitos anos, mas voltou com tudo na década em questão. Walter Breda é outro que eventualmente sai da dublagem e vai pra TV, e assim por diante. Tem esses casos.
Isso tem muito mais a ver com o enchimento do mercado do que com talento. Entra muita gente na dublagem, mas permanecer nela é difícil. E não dá pra dizer que "ah, é só aguentar ficar 5, 10 anos APENAS fazendo pontinha que daqui a pouco você consegue", se a pessoa aguenta isso, ela é guerreira, no mínimo.
H4RRY Escreveu:É um assunto polêmico. Como todo mundo já sabe que a indústria da dublagem brasileira tem o lado que não é flor que se cheire, a única coisa que me faz acreditar que esses dubladores conseguiram destaque tão rápido no ramo é: influência. Algum parente, amigo, conhecido de dentro da dublagem que fez a pessoa se destacar tão rápido. E sinceramente, não me surpreenderia, isso é comum em qualquer profissão, infelizmente. O próprio Júnior Nanetti já falou em entrevista que meio que teve que "mendigar" atenção de alguns dubladores, pedindo pra conhecer estúdios na cara dura, pra acompanhar trabalhos e por aí vai. Ele teve que "meter as caras" pra finalmente ter o seu destaque, depois de 10 anos, que foi dublar o Champa.
É, amigos...isso é um banho de água fria pra qualquer pessoa que queria entrar no ramo. E infelizmente ainda tem dublador que tenta vender a imagem de que tudo são mil maravilhas.
Pra ser justo, o Júnior chegou a fazer outras coisas grandes antes do Champa, principalmente no que se refere aos games. Mas sim, o Champa foi um dos grandes trabalhos da carreira dele desde então.
Porém, eu concordo contigo que existe um lado na profissão que não é legal. Claro que networking em qualquer profissão é algo válido e necessário, mas na dublagem existem outros fatores - desagradáveis e tristes, é bom deixar claro - que a gente sabe quais são.
E fora o Júnior, eu lembro de vários outros casos que demoraram 10 anos ou mais pra engrenar, por sorte, alguns desses quando engrenaram, engrenaram de vez e não pararam mais, como o Wallace Raj quando virou coordenador/diretor na Marmac, por exemplo. O cara decolou na profissão de um jeito merecido de 2013 em diante e hoje já tá firmado.
Um caso muito emblemático que me deixa com a pulga atrás da orelha é o do Marcos Hailer. O cara começou a carreira nos anos 90 e início dos 2000 relativamente bem, mas foi só ser substituído em Family Guy (ele foi a primeira voz do Chris Griffin, antes do Yuri, pra quem não se lembra) que foi, digamos, pra um tipo de ostracismo, talvez não no meio em si, mas com o público e em termos de reconhecimento de trabalho, e já tem uns 15 anos ou mais que eu só o escuto em papeis muito pequenos ou pontas. Ele faz muitas pontas em várias casas, o que deve render uma grana razoável, mas não o escuto em papeis grandes hoje em dia, o que é uma pena.
