Apesar de eu ver que uma galera fica meio “puta” com o fato de as grandes produções estarem divididas entre Rio e SP hoje em dia. Sinceramente eu vejo mais como uma “reparação histórica”. Tipo, isso é reflexo de um mercado que, por anos e anos, teve uma preferência pela dublagem carioca — coisa de 30 anos fácil, puxando ali pra 40.
A AIC foi top por 10 anos, 10 anos em que SP dominou (62–72). Não vou contar o período anterior porque muita coisa nem era dublada na TV, mudou com a lei do Jânio Quadros, em 61, que tornou obrigatório que TUDO fosse dublado para passar na TV.
Em 72, a AIC começou a decair por problemas internos, e a Globo foi ganhando seu lugar ao sol como a grande emissora da TV brasileira. Com isso, a Herbert Richers foi crescendo ali, devido à forte ligação entre as duas. E, sei lá, até 2002, quando a TV a cabo estourou e o DVD se popularizou, tomando o lugar do VHS, a coisa foi se equilibrando — embora SP já tivesse ganhado um bom espaço com o VHS, ali deu uma equilibrada.
Porém, é bizarro pensar que, nos anos 70 e 80, uma galera foi de Sampa pro Rio porque não tinha trabalho lá. Bizarro mesmo, porque todos eram bons e tinham seu lugar ao sol. Talvez o único dublador que não tenha vindo já consagrado pro Rio tenha sido o Hamilton, que ainda assim já tinha feito CHiPs, como o protagonista da série.
E em 2012–13–14, quando a Disney muda de vez pra São Paulo, isso se dá devido ao maior comprometimento com questões de prazo (segundo o Wendel Bezerra, em conversa com o Seixas, que disse ter ouvido isso do cliente: os clientes migraram mais pra SP por causa do comprometimento com entrega no prazo, coisa que o Rio estava deixando a desejar).
Hoje, SP domina, mas é coisa de 55% vs. 45%; não é aquela discrepância dos anos 80, em que a HR pegava 80% do mercado sozinha, enquanto os outros estúdios do Rio ficavam com 10% e SP com os outros 10%. Então, dublador paulista ou dublador carioca que não dublava na HR tinha que ser MUITO BOM pra trampar MUITO — tinha que REBOLAR pra ganhar dindin. Por isso o Campa fez “todos” os filmes em SP, e o Rodney estava em todos os estúdios fora a HR, pra ver se conseguia ganhar algo.
Sobre a Disney, não fico feliz com os caminhos que ela tomou na dublagem, mas essa migração pra São Paulo foi boa pra mudar os ares e ouvir vozes novas nos grandes projetos. Tanto que as primeiras dublagens deles eram muito boas. O problema é que foram trocando as gestões responsáveis, e a coisa foi virando essa bola de neve que é hoje, que ninguém gosta — a não ser quem tá lá dentro.
(Este post foi modificado pela última vez em: 07-02-2026, 07:33 por Gabriel.)
A AIC foi top por 10 anos, 10 anos em que SP dominou (62–72). Não vou contar o período anterior porque muita coisa nem era dublada na TV, mudou com a lei do Jânio Quadros, em 61, que tornou obrigatório que TUDO fosse dublado para passar na TV.
Em 72, a AIC começou a decair por problemas internos, e a Globo foi ganhando seu lugar ao sol como a grande emissora da TV brasileira. Com isso, a Herbert Richers foi crescendo ali, devido à forte ligação entre as duas. E, sei lá, até 2002, quando a TV a cabo estourou e o DVD se popularizou, tomando o lugar do VHS, a coisa foi se equilibrando — embora SP já tivesse ganhado um bom espaço com o VHS, ali deu uma equilibrada.
Porém, é bizarro pensar que, nos anos 70 e 80, uma galera foi de Sampa pro Rio porque não tinha trabalho lá. Bizarro mesmo, porque todos eram bons e tinham seu lugar ao sol. Talvez o único dublador que não tenha vindo já consagrado pro Rio tenha sido o Hamilton, que ainda assim já tinha feito CHiPs, como o protagonista da série.
E em 2012–13–14, quando a Disney muda de vez pra São Paulo, isso se dá devido ao maior comprometimento com questões de prazo (segundo o Wendel Bezerra, em conversa com o Seixas, que disse ter ouvido isso do cliente: os clientes migraram mais pra SP por causa do comprometimento com entrega no prazo, coisa que o Rio estava deixando a desejar).
Hoje, SP domina, mas é coisa de 55% vs. 45%; não é aquela discrepância dos anos 80, em que a HR pegava 80% do mercado sozinha, enquanto os outros estúdios do Rio ficavam com 10% e SP com os outros 10%. Então, dublador paulista ou dublador carioca que não dublava na HR tinha que ser MUITO BOM pra trampar MUITO — tinha que REBOLAR pra ganhar dindin. Por isso o Campa fez “todos” os filmes em SP, e o Rodney estava em todos os estúdios fora a HR, pra ver se conseguia ganhar algo.
Sobre a Disney, não fico feliz com os caminhos que ela tomou na dublagem, mas essa migração pra São Paulo foi boa pra mudar os ares e ouvir vozes novas nos grandes projetos. Tanto que as primeiras dublagens deles eram muito boas. O problema é que foram trocando as gestões responsáveis, e a coisa foi virando essa bola de neve que é hoje, que ninguém gosta — a não ser quem tá lá dentro.
