(29-03-2026, 15:50 )Bruna Escreveu: Cara, o apoio do fã deve ser incrível, mas no fim, a gente não paga o salário do cara.
Se realmente for uma questão que envolva, dentre vários fatores, falta de trabalho e de escala, acho que o Clécio talvez se sinta desvalorizado no próprio meio, e isso talvez doa demais - "falhei como dublador" talvez seja "porra, fulano não me escala, ciclana não me dá uma força, vai ver eu não sou bom".
Por mais que a gente tenha sindicato, "Dublagem Viva" e tal, a classe não me parece ser tão unida quanto a gente gostaria que fosse, me parece que ainda é muito "cada um por si". Antigamente isso não ocorria tanto porque era tudo dublado junto e em menos estúdios, então, enquanto hoje você pode ter dublado centenas de produções com o Clécio e nunca nem ter visto ele, antigamente você estaria o tempo todo com ele no estúdio, brincando entre takes, errando e se divertindo, etc, e aí acho que havia mais um senso de "comunidade", tanto é que muitos dubladores nunca se adaptaram a dublagem separada.
Enfim, perdão pelo textão, são vários pensamentos que passam pela cabeça numa hora dessas.
Tudo bem, Bruna, e faz todo o sentido na verdade. Apoio de fã realmente é ótimo, mas a conta que precisa ser paga todo final de mês não vai ser paga com isso, e sim com dinheiro.
Fato também que todo mundo é mais atomizado hoje em dia, e no caso da dublagem, hoje com centenas de profissionais no Rio, mais outras centenas em SP, e ainda mais outros em vários polos alternativos e o advento do remoto, faz sentido pensar em como essa atomização acontece no meio também. Criar amizades profundas nesse cenário é muito mais difícil hoje do que era há 20, 30 anos atrás.
Na época da Herbert, por mais que se possa discutir sobre a eficiência ou não daquele modelo de trabalho, pessoal que era contratado do estúdio não ficava sem escala e o convívio comunitário no meio era uma realidade. Hoje não mais.
Mas isso é outra conversa de qualquer maneira. Que o Clécio encontre paz e apoio dos seus entes queridos.
